nº 21 – 14/11/05  envie suas críticas e sugestôes

Viagens particulares
 Primeiras Estórias de João Guimarães Rosa 
 Clique para comprar na Livraria Cultura Outro dia estava falando aos meus alunos sobre a complexa análise crítica que envolve Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa. Notei que eles estavam impressionados com algumas das coisas que eu dizia, quando, finalmente, um deles expressou o que me pareceu ser um sentimento geral: “esses críticos viajam!”, exclamou. “De onde é que eles tiram essas idéias sobre as coisas que os autores escrevem?”, completou outro.
Então começou um debate sobre como é que um crítico tem direito de interpretar de uma forma ou de outra uma obra, algo que um escritor não produz apenas baseado em operações conscientes. Muito do que está em qualquer obra é também fruto de sensações, escolhas e experiências que nem sempre passam pela racionalidade pura. Mas esse repertório, essa bagagem é também essencial para que o resultado final da obra seja um e não outro qualquer.
A verdade é que existem inúmeras possibilidades de interpretação dos mais variados textos, e cada interpretação depende também do leitor que se defronta com aquela obra. Com o tempo, algumas interpretações ganham mais força, são mais pertinentes, tornam-se mais bem aceitas que outras, por questões variadas. Alguns aspectos são mais relevantes a um do que a outro leitor, algumas questões tocam mais um ou outro grupo de leitores.
De qualquer maneira, é essencial que tenhamos em mente a importância de sermos leitores críticos; que possamos, de alguma forma, ser, enquanto leitores, co-autores da obra, na medida em que saibamos ser interlocutores inteligentes: fazer relações que não estejam necessariamente explícitas na obra; trazer a obra para mais perto de nossa experiência individual sem deixar de levar em conta a experiência e a intenção original do autor.
O exercício da crítica pode ser mais democratizado. Cada leitor tem a capacidade de realizar conexões e interpretações de cada obra que lê. Quanto mais experiente o leitor, mais interessantes as observações que ele pode fazer; quanto mais cultura geral ele tem, maiores as possibilidades de conexão a respeito de um assunto ele pode fazer.
Guimarães Rosa é mesmo uma leitura muito complexa. Mas aproveitar as delícias que essa leitura tem a oferecer não é privilégio dos críticos profissionais. Cada um pode, por si, descobrir coisas novas e interessantes a respeito de cada livro e, quanto mais arriscarmos essa atividade, mais chance teremos de aprender com ela. E então, viajar não será exclusividade dos críticos. Afinal, cada leitor pode ter uma passagem para fazer sua própria viagem particular.

Mais um  Intermitências da Morte de José Saramago 
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José Saramago acaba de lançar mais um livro, “As Intermitências da Morte”. O livro começa com a sentença: “No dia seguinte, ninguém morreu”. A partir desse mote, o escritor português divaga sobre vida, morte, amor e o sentido (ou falta de) que esses ingredientes fazem em nossa existência.

O Casulo
“Jornal Brasileiro de Poesia Contemporânea”. É o que esta iniciativa pretende ser, reunindo poetas de todo o país. A diferença é que custa apenas R$0,50. No primeiro número, Reynaldo Damásio entrevista Tarso de Melo. Mais informações: ocasulo@mandic.com.br

Reabertura  Av. Paulista 
 Foto: Anselmo Gomes
A passagem que liga a Rua da Consolação e a Avenida Paulista, em São Paulo, será reaberta com o sugestivo nome de Galeria de Livros. A idéia é que o lugar abrigue saraus, oficinas literárias e workshops, além de concentrar também os vendedores de livros usados que ocupavam a Rua Augusta. A reinauguração vai acontecer durante a Virada Cultural, evento que promoverá 24 horas de cultura na cidade, entre 19 e 20 de novembro.

 O Olhar Médico de Moacyr Scliar - Ed. Ágora 
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Moacyr Scliar lança, pela Ágora, “O Olhar Médico – Crônicas de Medicina e Saúde”. As crônicas tratam de assuntos ligados à medicina (profissão que o autor ainda exerce), como exercícios físicos, consumo de remédios, velhice e morte, sem perder de vista a veia literária.

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